Marlene B. Cerviglieri
Morava numa floresta grande, uma borboleta azul muito linda.
Seu corpinho era todo azul e em suas asinhas havia uns pontinhos pretos.
Era especial e sabia muito bem disso.
Toda vez que passava voando, outras borboletas paravam para vê-la. Sentia-se muito importante sendo portadora de tanta beleza.
Porém como ninguém é perfeito, a borboleta azul era muito muito apressada.
Estava sempre voando de um lado para outro, mesmo que fosse sem ter o que fazer.
Seus amigos diziam para ela ter mais cuidado, porém era mesmo uma apressada.
Certo dia resolveu voar para mais longe.
Ah, dizia:
-Estou cansada de ficar só nesta floresta.
Pensou assim e partiu em direção a cidade.
Chegando lá, viu uma enorme casa toda iluminada.
Não conhecia nada, pois nunca havia visto uma casa.
Imediatamente foi atraída pelas luzes das vidraças.
Lá foi ela em direção à janela que não estava aberta, era uma grande vidraça.
Pum... Bateu com o corpinho inteiro na janela!
Suas asinhas ficaram grudadas e ela não conseguia sair!
Meu Deus que fazer, pensava a borboleta azul.
Foi quando resolveu respirar devagar e prestar atenção para ver o que faria.
Não fique assustada pensava.
Olhando para dentro da casa viu um grupo de crianças sentadas no chão, num imenso tapete redondo.
Ora, que estariam fazendo?
Brincando naturalmente.
Foi quando um dos meninos levantou-se e saiu correndo na sala.
Não corra disse uma senhora que estava sentada lá também.
Não deu tempo o menino espatifou-se no chão igualzinha a borboleta na vidraça...
A pressa, o que é a pressa?
Dizia a senhora atendendo o menino.
Você tem que aprender a fazer as coisas mais devagar, não há necessidade de sair correndo, de chegar primeiro de falar antes...
Tudo isto é pressa demais!.
Às vezes sei que precisamos nos apressar, mas não é sempre.
Limpou o raspão do joelho do menino que voltou a sentar com os colegas bem mais calmos agora.
E eu pensava a borboleta que faço?
Quem me ajuda?
Foi quando pensou em ficar quietinha e ai então as asinhas começaram a se soltar do vidro.
Assim mesmo esperou mais um pouco até que percebeu que podia se mexer por inteira.
Saiu voando rapidinho para a floresta e acho que a lição valeu, tanto para ela como para o menino.
É dizia minha vovó, quem tem pressa, perde a testa!
Gostaram da historinha?
Não precisa responder, não tem pressa!
O Milagre das Sementes.
Marlene B. Cerviglieri
Todos estavam felizes, pois a tradicional festa da colheita estava perto.
Era muito esperada encerrava um tempo de muito trabalho, que trazia também muita esperança.
Cada fazendeiro apresentava uma amostra do que havia plantado.
Mandavam para os grandes centros, e até mesmo para fora do país.
Armavam as barracas com diversos pratos da culinária local..É claro que não faltavam os doces e as tortas especiais.
Vendiam geléias feitas com as frutas de seus próprios pomares, queijos frescos manteiga e mel.
Alguns se arriscavam em vender melado também.
Para este dia vinham muitos visitantes de outras cidades todos vestidos a caráter.
Ou seja; camisa xadrez lenço no pescoço e botas.
As mulheres usavam saias longas bem enfeitadas e lenço na cabeça.
Havia a dança tradicional, que nem treinavam mais pois sabiam muito bem dançar.
A música trovinha dos músicos da igreja.
Era uma festa e tanto!
Neste dia as crianças ganhavam moedas dos pais para comprarem o monte de coisinhas que havia na feira..Desde bolas de borracha , saquinhos de bolinas de gude, caminhões feitos de madeira, trenzinhos e alguma peças de mobília todas em miniatura.Bonecas tinham várias, toda de pano.
Durante o ano as avós e os avôs exercitavam sua habilidade para exporem na festa e naturalmente vender.
Beatriz queria muito uma mobília de quarto para sua casinha.
Guardou as moedas que ganhara fazendo pequenos serviços em sua própria casa. Era uma recompensa que sua mãe lhe dava.
Guardou-as num saquinho de pano amarrou bem e colocou no cantinho de sua gaveta.
Chegado o dia, vestiu-se foi até a gaveta para pegar o saquinho e...nada havia sumido.
Levou um susto tão grande era sua decepção.
Quis falar com sua mãe, mas esta já havia ido para a festa. Tinha deveres lá e foi mais cedo.
O pai também não estava em casa naquele momento.
Sua avó estava!
Correu para o quarto dela e contou o ocorrido.
Estava tão aflita que as palavras não saiam!
A avó não serviu de consolo ,pois não sabia de nada.
Poderia lhe dar algumas moedas e deu ,mas não seriam suficientes para comprar a mobília que esperara o ano todo.
Aceitou e agradeceu e saiu de casa para ir até a festa.
No caminho que era longo, sentou-se numa pedra grande.
Fitando o céu com lagrimas a escorrer dos olhinhos.
Oh, meu papai do céu, eu queria tanto a mobília guardei cada moedinha e agora perdi?
Eu acho que não merecia ter, não é mesmo?
Enxugou os olhos e continuou a andar.
Bem adiante estava uma senhora muito aflita.
-Que aconteceu minha senhora?
-Eu vinha pela estrada de carroça, de repente uma cobra atravessou a estrada e assustou o cavalo.
Consegui pular, mas ele levou minha bolsa e tudo que tinha comprado na feira!
-Beatriz ajudou a senhora a levantar-se e foi buscar a carroça que estava bem adiante longe mesmo na ribanceira.
Conseguiu traze-la tinha pratica com animais e sabia manejar a carroça.
-Pronto minha senhora aqui esta sua carroça, felizmente o eixo está inteiro e o cavalo não está machucado.
A mulher abraçou a menina e foi até a carroça.
Mexeu em tudo e felizmente não havia quebrado nada e principalmente a cobra não havia picado seu animal também.
Voltou-se para Beatriz com uma caixa grande nos braços e disse-lhe:
-Minha querida menina, isto é para você!
Oh ,não minha senhora ,não é preciso.
Ajudei e sei que a senhora faria o mesmo por mim.
-Faço questão que você guarde isto como lembrança minha.
Dizendo isto partiu em seguida com a carroça.
Beatriz desanimada que estava ficou mais um pouco sentada na pedra.
Aí então, resolveu abrir o pacote, uma caixa grande.
Para seu espanto lá estava a mobília que tanto queria!
Chorou bastante de alegria.
Olhou para o céu novamente e agradeceu muito.
Nem foi para a festa voltou para sua casa.
Lá estava seu pai.
-Não vai para festa, filha?
Acho que não papai, quem sabe mais tarde.
O que trazes aí?
Beatriz contou ao pai o que havia acontecido.
Foi quando este lhe disse:
Ah, foi para você que ela deu a mobília?
-Como você sabe papai?
Encontrei-me com ela no caminho.
Sabe minha filha ela só faz duas por ano para expor na festa!
Uma deu para você e a outra vai guardar para a filhinha dela.
-Mas papai o devo ficar com este presente?
Sim minha filha, você é uma semente boa.
Ajudou e nem pensou mais em você.
Quando se espalham sementes boas, se colhe frutos bons!
Agora guarde a caixa vamos para a festa, sua mãe já deve estar preocupada comigo.
E assim Beatriz teve o que mereceu, de uma outra forma recebeu o que merecia.
Sementes... Sementes... Mágicas.


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